Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo
QUAL É O NOSSO LUGAR?
“Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diferentes tipos de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum”
(1 Coríntios 12:4-7).
No mundo corporativo muito se fala sobre perfil. Uma pessoa que almeja determinada vaga é escolhida com base nesse quesito pois, caso não tenha o perfil adequado, então não poderá desempenhar bem as tarefas que lhe serão confiadas. Há algum tempo atrás o perfil era traçado só com base em um processo informativo eliminatório – uma prova de conhecimentos em determinada área, os melhores pontuados eram escolhidos e os outros rejeitados. Com o passar dos anos as grandes corporações, buscando os melhores funcionários, foram percebendo que não bastavam informações ou conhecimento em determinada área do conhecimento. Era necessário ser mais profundo na análise do perfil daquela pessoa, e aí a área de recursos humanos foi incluindo outros elementos na análise como o perfil psicológico, inteligência emocional e por aí vai. A isso eles chamaram de “competência” e é com base nela que a grande maioria dos processos de seleção mais modernos e eficazes se baseiam na contratação de um funcionário.
Deus já falava sobre a importância do perfil muito antes das grandes corporações existirem. Ele deixou claro que as pessoas tem um perfil diferente. Elas têm dons, ministérios e atuações heterogêneas. Ainda que tudo venha de Deus através do Espírito Santo, as pessoas agem de modo diferente com base no seu perfil. Estão mais qualificadas para realizarem determinadas tarefas e menos para outras. Poderíamos dizer que o princípio de competência aparece claramente na Bíblia
e valorizá-lo é tarefa da liderança.
Em nome da democracia nós criamos com o passar do tempo um princípio generalista que excluiu a importância da competência. Criamos uma estrutura cheia de cargos que eram preenchidos por irmãos amorosos, bem intencionados mas nem sempre com o perfil correto. Aliás, há pessoas que não tem sequer a qualificação para liderarem. Em função desse princípio equivocado começaram a acontecer verdadeiros desastres dento das igrejas e até na denominação Batista. Os mais simpáticos, os que tinham mais amigos, os membros das famílias mais importantes da Igreja e outros mais articulados começaram a ocupar funções que eram incompatíveis com o seu perfil. Sem saber o que fazer ou mesmo sem condições espirituais, emocionais, físicas ou intelectuais essas pessoas foram agindo de acordo com suas forças, a maioria delas buscando ajuda de Deus, mas negligenciado princípios que o próprio Deus deu como os citados no texto acima. Aliás, pouco se falava sobre perfil em nossas Igrejas, a grande maioria dos crentes nem sequer cria em dons e competência era um assunto novo demais para aquela geração.
Hoje, passado tanto tempo, começamos a falar um pouco mais sobre perfil mas ainda há muito o que se pensar tratando-se de Igreja. Competência é um tema novo, inexplorado dentro das Igrejas, mas importante pois os assuntos vão se tornando mais complexos e as estruturas eclesiásticas mais carentes de pessoas com o dom certo,
o talento correto, enfim, a manifestação adequada que vem do Espírito Santo de Deus. Para aumentarmos a discussão sobre esse tema é necessário que cada um pense sobre si mesmo e a sua competência.
E a pergunta certa para isso é: ‘qual é o seu lugar na Igreja?’ O Espírito Santo quer o bem comum do Corpo de Cristo e preparou a cada um de nós de modo a que nosso perfil seja abençoador em alguma área ministerial específica dentro do Reino de Deus. Alguns de nós somos mais capazes que outros para lidar com determinados temas, atender certas demandas e responder a algumas questões de grande importância. Precisamos de sabedoria e humildade para entender qual
é a área de atuação que combina com nosso perfil e então aceitar trabalhar em algumas áreas e rejeitar outras.
Em alguns momentos nosso perfil prejudicará a tomada de decisões pois não teremos a condição necessária para assimilar a informação, pensar objetivamente sobre o caso ou mesmo nos aprofundar em áreas das quais estamos impossibilitados emocional ou mesmo intelectualmente. Em outros momentos nosso perfil será a resposta de Deus à necessidades da Igreja que só serão atendidas quando nos doarmos de acordo com nossos talentos, dons e ministérios.
Seria demais pedirmos a cada um que avalie sua competência e descubra o seu lugar no Corpo de Cristo? Creio que não! Pelo contrário: é o mínimo que podemos esperar já que Deus nos deu um perfil não por acaso mas sim propositalmente: servir e honrar o nome de Jesus Cristo. Descubra o seu lugar e sirva de acordo com suas competências.
Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez
Pastor Titular da Igreja Batista Betel
Junho de 2010
Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez