Insatisfação gera cobranças, destrói relacionamentos, e inventa culpados. O insatisfeito crônico não consegue enxergar beleza nas coisas e nem alegria e passa a respirar descontentamento. Jesus falou sobre os religiosos de sua época qualificando-os como insatisfeitos. Disse que eram como meninos que quando deveriam dançar e cantar, ficavam carrancudos, e quando a brincadeira mudava, também não pretendiam participar. Não tinham reações positivas e nem de contentamento. Seu perfil os levava a criticar, reclamar e murmurar.
Essa atitude nascera muito antes de Jesus Cristo quando o povo se libertara do cativeiro Egípcio. Podemos vê-la no deserto quando do recebimento do maná enviado por Deus. Diante daquele cereal do céu o povo sentiu saudade da carne do Egito. O que havia de errado com o maná? Nada! Essa insatisfação se prolongou e se manifestou em diversos outros momentos na história do povo provocando cativeiros,
derrotas e sofrimentos. Os fariseus da época de Cristo eram o resultado de séculos e séculos de reclamação, insatisfação e murmuração.
Me pergunto o motivo pelo qual Jesus comparou aqueles religiosos com meninos e a única resposta que me vêm à mente é que o insatisfeito contumaz de fato é infantil em sua maneira de ver o mundo. Quando uma criança apresenta agressividade ou dispersão em sala de aula em geral seu problema não é com o professor ou com o coleguinha mas sim com as perplexidades que seu coração enfrenta, em geral originadas em sua casa. Por não conseguir entendê-las e resolvê-las ela leva para a escola essa crise interior e a manifesta batendo no colega, sendo agressiva com o professor ou deixando de fazer suas tarefas.
Há muitos ‘meninos reclamões’ que na verdade estão escondendo problemas familiares, conflitos emocionais e existenciais e ou frustrações pessoais. Sua insatisfação com as pessoas, igreja ou sociedade nada mais é do que um grito de socorro vindo de um coração sofredor. Sua insatisfação real não é com o culto mas sim com sua condição de adorador. Sua murmuração não é contra um líder mas sim com sua dificuldade em se submeter à autoridade. Sua crítica não é contra a falsidade das pessoas mas sim com sua incapacidade de fazer amizades. Sua reclamação não é com a dureza da mensagem mas sim com o pecado que habita em seu coração.
Um conhecido ‘menino reclamão’ na Bíblia foi Jonas. Ainda que tenha sido um pregador de sucesso, afinal uma cidade inteira se converteu com sua pregação, continuava reclamando. Qualquer um se alegraria naquela situação mas ele estava chateado. Deus lhe fez a seguinte advertência: "É razoável esta tua ira?."
Possivelmente todos nós merecemos a mesma advertência em alguma área de nossa vida. "É razoável o teu descontentamento, o teu desprazer, o teu olhar de enfado, onde nada está bom?" Vasculhemos nosso coração e mente e busquemos a real fonte de nossa insatisfação. Nada será bom se nós estivermos escondendo situações não tratadas ou sentimentos destrutivos. E aí, não haverá música que nos faça rir ou chorar, seremos meninos e não homens e mulheres adultos na fé.
Que a satisfação vença a reclamação, a alegria domine sobre a tristeza e o prazer nas coisas de Deus vença o descontentamento que está no coração,
Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez
Pastor Titular da Igreja Batista Betel
prgimenez@ibatistabetel.org.br
(* Texto escrito a partir da idéia original do Pr. Daniel Rocha no texto ‘A Era dos Insatisfeitos’)